26 de jul de 2015

Resenha: Proibido - Tabitha Suzuma

Sabe aqueles livros que você termina de ler, fica recapitulando tudo na sua mente, e pensa... e pensa... e pensa. Vai dormir e acorda e continua pensando... pensando... e refletindo?

Pois é! Este é um desses livros!

Cheio de polêmica, Proibido foi trazido para o Brasil através da Editora Valentina, traduzido por Heloísa Leal e publicado no segundo semestre de 2014. Escrito por Tabhita Suzuma – ganhadora de inúmeros prêmios – teve sua capa inovada e promete conquistar vários leitores... Ou não?

Acredito que será uma das resenhas mais difíceis que vou fazer, pois não há palavras suficientes para transmitir todo o sentimento existente nesse livro. Na verdade meu maior receio é que meu texto não consiga fazer jus a toda ousadia de Tabitha ao abordar um tema tão polêmico como o incesto de um modo tão puro e belo.

Lochan foi, desde o inicio, um filho indesejado. Abandonado por seu pai quando era pequeno e negligenciado por sua mãe alcoólatra e irresponsável, Lochan precisou amadurecer mais rápido para que pudesse cuidar de seus três irmãos mais novos, com a ajuda de Maya, sua irmã um ano mais nova. Nervoso pelas futuras mudanças, nosso jovem protagonista está prestes a fazer dezoito anos e ir para a faculdade, mas diante a tantas dificuldades, tem crises constantes de pânico e não consegue se socializar de modo algum, a não ser com sua própria irmã – que sempre fora sua companheira, sua melhor amiga e seu porto seguro.

"Não há leis nem limites para sentimentos. Nós podemos nos amar tanto e tão profundamente quanto quisermos. E ninguém, Maya, ninguém vai poder jamais tirar isso de nós."

Já Maya, dezesseis anos, sempre fora um garota adoravelmente extrovertida, firme e conciliadora. Precisou ajudar – desde cedo – seu irmão a manter a família, e assim como ele, estudar para buscar um futuro melhor. Mas foi através desse contanto constante e do sentimento intensamente fraterno que nutriam que uma grande e avassaladora paixão se ascendeu.

"Ele sempre foi mais do que apenas um irmão. Ele é minha alma gêmea, meu oxigênio, a razão pela qual espero com ansiedade pelo momento de acordar todos os dias."

Não demorou muito para sua mãe decidir manter sua vida com um namorado, longe de sua real família, fazendo Maya e Lochan realmente se tornaram um casal, “pais” de seus próprios irmãos. Porém, quebrar as regras da sociedade e da própria lei de seu país poderia lhes custar tudo, inclusive sua própria família.

Em uma fuga constante do Serviço Social, e de qualquer outro órgão que poderia desmanchar seu lar, Maya e Lochan decidem manter seu relacionamento escondido – até dos próprios irmãos mais novos. Mas conforme o tempo passava, tudo parecia ficar mais difícil. Kit, o irmão de treze anos, estava se envolvendo com gangues e drogas, e as contas da casa estavam se acumulando sem ninguém para pagá-las.

"É um sentimento tão imenso que às vezes acho que vai me engolir. É tão forte que sinto que poderia me matar. E não para de crescer, e eu não posso... não sei o que fazer para estancá-lo. Mas... nós não podemos fazer isso... nos amar assim!"

Num determinado dia Maya resolve aceitar o convite de um jovem de sua escola e sai para um encontro. Nico é um jovem rico e disputadíssimo pelas garotas da escola e ao que parece muito interessado em Maya. Ao saber que a irmã vai ter um encontro, Lochan, quase surta num turbilhão de sentimentos conflitantes. Mesmo Nico sendo muito simpático e atraente, durante o encontro, Maya acaba percebendo que não está a fim dele. Na verdade, não está a fim de nenhum cara da escola.

Ao retornar para casa Maya encontra o irmão surtando na sala a sua espera. Em meio a uma grande discussão sobre o que havia acontecido no encontro a verdade aparece e ambos notam que o sentimento que não percebiam e inconscientemente sufocavam estava lá: o amor! A partir daí a rotina passa a ser mais suave, mas também surge o grande questionamento sobre as consequências desse amor! Maya e Lochan não conseguem entender a razão para o amor parecer algo tão errado e sentem grande temor pelo que esse sentimento pode acarretar na vida de seus irmãos. No país em que a família reside o incesto é crime e ambos poderiam acabar presos!

“Mesmo à noite, quando abraço o travesseiro e olho por entre as cortinas abertas, não me permito ceder, porque, se fizesse isso, eu não me levantaria mais.”

A pergunta que o leitor vai se fazer o tempo todo é: Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?

Proibido é mais que um livro polêmico, é uma obra extremamente dramática. Lê-lo, é como sentir, na realidade contemporânea, o toque shakespeariano – responsável por quebrar inúmeros corações. E Tabitha não se mostra diferente: ela pretende romper seu coração logo nas primeiras páginas.

Escrito em primeira pessoa, com protagonistas alternados – Maya e Lochan – temos contato com uma narração simples e informal, porém, bem empregada.

Apenas quis levantar algumas questões com vocês sobre o livro sem a intenção de recomendar ou não, de falar se eu curti o livro ou não.

Acho que nem a autora tinha a intenção de apontar isso, ela queria apenas discutir um tema importante. Gostando ou não, não dá para negar que Proibido é um livro que te faz ter alguma opinião, querer debater e expor ela. Ele também te emociona e te coloca numa posição difícil, entre o coração e a razão, aquilo que é certo e os sentimentos que vão contra isso.

O livro não deve ser visto apenas como uma obra sobre incesto. Ele vai muito além disso! Ele mostra o sacrifício que dois adolescentes fazem para que seus irmãos sofram o mínimo possível diante de uma realidade tão dura, o quanto podem anular seus anseios para que a família permaneça unida. Proibido fala de amor, de angústia, de dor! É um livro tocante, que te atinge, te queima e te faz refletir sem ser agressivo e nem apelativo.

"Como o nosso amor pode parecer horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém?"

Você já chorou por causa de um livro? Eu já, várias vezes, mas essa é a primeira vez que dói tanto. Estou sem fôlego, e com meu coração estilhaçado. E até agora não consegui parar de refletir.

"Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir."
"No fim das contas, o que importa mesmo é o quanto você pode suportar, o quanto pode resisitir. Juntos, não fazemos mal a ninguém ; separados, nós definhamos."

19 de jul de 2015

Resenha: Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Romance de estréia de Josh Malerman, narra um surto desconhecido onde as pessoas enlouquecem e começam a se matar umas as outras e a que sobra se suicida. Narrado em terceira pessoa Caixa de Pássaros, faz com que o leitor tenha uma ampla visão (infernal) de todos os acontecimentos e sinta tudo o que a protagonista sente, é um daqueles thrillers psicológicos que te deixam tenso. Ele também contêm poucas páginas o que não irá facilitar o medo que o leitor inevitavelmente irá sentir.

Tem alguma coisa lá fora. Esperando por você, em todos os lugares. Ninguém sabe o que é, quem é ou qual sua forma, porque quem viu, não viveu pra contar a história. Só se sabe que é letal. Há algo lá fora esperando para enlouquecer você e fazer você cometer atos horríveis: fazer você se mutilar, se suicidar. Basta apenas um segundo, um mínimo descuido e tudo está terminado. Basta ver “aquilo” e você está perdido. Quer ficar em segurança? NÃO ABRA OS OLHOS! Para nada. Vai sair? Use uma venda. Tape as janelas com cobertores, tábuas, o que encontrar. Construa barricas, não deixe um sequer buraco de claridade aparecer, você não pode ver a luz do mundo lá fora. Esconda-se, não saia de casa, não olhe pela janela. Viva todos os dias com medo, na escuridão de uma casa.

Essa é a vida em “Caixa de Pássaros”, a única regra é: NÃO ABRA OS OLHOS – se quiser sobreviver.

Você vai poder esperar perguntas como: Que barulho é esse que vem do lago? Dá onde veio esse sangue? Esse som vem do poço? O que é aquilo atrás das árvores? Quem abriu a porta dos fundos? SIM se você já está com medo, acredite tem motivos pra isso. A atmosfera de Caixa de Pássaros é implacável. Mesmo você sendo unicamente o telespectador dessa história ainda assim você irá sentir os mesmos calafrios e arrepios que Malorie.

Cinco anos se passou desde o inexplicável surto começou, agora Malorie e os dois filhos têm de enfrentar o desconhecido para salvar suas vidas. Uma viagem literalmente no escuro, sem abrir os olhos, onde qualquer errinho, pode matá-los. Esse é um daqueles livros onde você sente o desespero dos personagens.

“Na calçada, um casal passa com o jornal cobrindo o rosto até as têmporas”. Alguns motoristas dirigem com os retrovisores virados para cima. Distante, Malorie se pergunta se aqueles são sinais de que a sociedade está começando a acreditar que há algo de errado. E se houver, o que é?”… “Um homem no fim do corredor abre uma caixa de curativos. Então põe um deles sobre o olho.”

A história é meio que dividida, ela se passa entre o presente e o passado. Grande parte da trama é narrado pelo ponto de visa de Malorie, desde quando ela descobre que esta grávida, dos rumores a respeito dos acontecimentos horríveis de suicídios das pessoas, até encontrar-se com o presente, onde ela e os filhos tentam atravessar vendados, um rio para salvar suas vidas.

É tudo muito rápido, o ritmo da leitura é constante, meio que claustrofóbico. Não dá para parar de ler, você se envolve na história e principalmente com Malorie. O clima de desespero e medo só aumenta em cada página.

Uma coisa que vale a pena destacar e que gostei muito, é que a história não retrata só as “criaturas” que estão lá fora, não fala só deles, retrata bem os seres humanos, como uma coisa dessas pode mudar o mundo e principalmente uma pessoa, no que pode transformá-la psicológica e emocionalmente, detalha bem os desesperos dos personagens, como cada um se sentiu e o que fazia para poder sobreviver. Mas digo que o autor teve muita criatividade, porque só de pensar em um local assim, já me dá caláfrios.

“Ele poderia ter entrado em qualquer momento. Poderia ter quebrado uma janela. Poderia tê-la atacado quando ela ia pegar água no poço. Por que esperaria? Sempre seguindo, sempre rondando, só que ainda não estava pronto para atacar.”

Se você é daqueles que gostam de um final revelador, em que tudo fica esclarecido, então não leia esse livro. Eu esperei por algo que não chegou, talvez por uma conclusão – não que o livro não tenha um final, ele tem – porém esperei saber mais das coisas, mas isso não aconteceu, porém, percebi que não era isso que importava, o autor deixou claro ao decorrer da história que o intuito dele era de deixar o leitor aterrorizado e levá-lo até o final – o que conseguiu – mas não prometeu um final épico. Mas eu posso concluir pra vocês como me sinto depois de ler Caixa de Pássaros: Nunca mais vou ouvir barulho de pássaros da mesma maneira.

“Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.”

Se você não tem costume de ler livros que te deixam aflitos ou com medo, essa não é uma boa opção para você. Agora se você está acostumado com o gênero e está pronto para deixar o medo entrar no seu quarto ESSE LIVRO É PARA VOCÊ.

Josh Malerman escreveu um romance realmente assustador e inesperado. Eu sou fã desse tipo de livro (adoro toda a adrenalina e tensão). Caixa de Pássaros foi um livro cativante li de um dia para o outro (depois de ler Boneco de Neve, pássaros seria o de menos).

Recomendadíssimo pra quem curte esse tipo de gênero... só não esqueçam: NÃO ABRA OS OLHOS!

Proibido - Tabitha Suzuma


Ela é bonita e talentosa — com doces dezesseis anos e nunca foi beijada. Ele tem dezessete; lindo e com um futuro brilhante pela frente. E eles estão apaixonados. Mas o único problema é… eles são irmãos.


Você pode fechar os olhos para o que você não quer ver, mas você não pode fechar seu coração para o que você não quer sentir.

Lochan, de dezessete anos, e Maya, de dezesseis, sempre foram mais amigos que irmãos. Juntos eles cuidam de seus irmãos mais novos no lugar de sua mãe alcoólatra.

Como pais dos mais pequenos, Lochan e Maya tiveram que crescer rápido, e o stress de suas vidas, e a forma como se entendem mutuamente, também os uniu mais do que seria normal entre irmãos. Tão perto que se apaixonaram. 

Um romance proibido que aumenta mais e mais até se tornar profundo e desesperado.

Sim, eles sabem que é errado e não devem continuar. Porém, é difícil parar algo tão bom. E como avisa a autora logo no início, uma história assim não poderia ter um final feliz.

Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo.

Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler.

Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio.

Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas.

Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos.

 Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.