... E se incendeias meu cérebro,
Então te conduzirei no meu sangue (Rilke)
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6 de set. de 2014

Para viver um grande amor - Vinicius de Moraes

Advertência feita pelo autor e não assinada: 

"Esta coletânea de crônicas, se bem que mesclada a poemas de fato e de circunstância, é o primeiro livro de prosa do A. Tendo exercido o mister de cronista em várias épocas, nos últimos vinte anos, resolveu ele selecionar algumas delas, a instâncias, também, de seus Editores, e vir a público. Há, para o leitor que se der ao trabalho de percorrê-las em sua integridade, uma unidade evidente que as enfeixa: a de um grande amor. Foram elas publicadas em jornais e revistas vários, de alguns dos quais o A. perdeu o rastro. A maioria, no entanto, saiu em Última hora, no período que vai de 1959 a nossos dias. Os poemas, muitos dos quais escritos nesse mesmo interregno, visam a amenizar um pouco a prosa: dar-lhe, quem sabe, um "balanço" novo. E situam-se, quase todos, nessa fase do A. que vai de seus últimos dias de Paris, em 1957, onde foi escrito, em julho, "O amor dos homens", até o fim do seu estágio em Montevidéu, em 1960. Dentro, portanto, da experiência do grande amor. Copiar e ordenar mais de mil crônicas, do que resultou esta seleção, foi obra de D. Yvonne Barbare, secretária do A., cuja competência e dedicação não pode ele deixar de louvar aqui".

11 de jun. de 2014

Para uma menina com uma flor - Vinicius de Moraes

As crônicas reunidas neste livro, escritas entre 1941 e 1966, tocam temas díspares, mas fascinantes: o pós-guerra, um desenho de Carlos Scliar, a avenida Atlântica, Hollywood, o assassinato de dez mil pintinhos pelo Ministério da Agricultura, um batizado na Penha, o amor à pátria, a morte de Cecília Meireles, uma "saison" em Caxambu. 

O cotidiano aqui aparece emaranhado, desconexo, caótico como de fato são os acontecimentos. Vinicius de Moraes sabe que a função do cronista não é a mesma de um administrador, que conecta, limpa e arquiva o mundo real. 

Ao contrário, ao retratista não cabe escolher o que a realidade lhe oferece, nem discriminar imagens ou acontecimentos. Cabe, sim, pôr-se a serviço do confuso trançado de fatos que compõem o cotidiano e não sucumbir à ânsia de colocar, precocemente, ordem na casa - pois os fatos se ajeitam e se moldam por si mesmos, ou simplesmente se perdem na espiral do tempo.