19 de jul de 2015

Resenha: Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Romance de estréia de Josh Malerman, narra um surto desconhecido onde as pessoas enlouquecem e começam a se matar umas as outras e a que sobra se suicida. Narrado em terceira pessoa Caixa de Pássaros, faz com que o leitor tenha uma ampla visão (infernal) de todos os acontecimentos e sinta tudo o que a protagonista sente, é um daqueles thrillers psicológicos que te deixam tenso. Ele também contêm poucas páginas o que não irá facilitar o medo que o leitor inevitavelmente irá sentir.

Tem alguma coisa lá fora. Esperando por você, em todos os lugares. Ninguém sabe o que é, quem é ou qual sua forma, porque quem viu, não viveu pra contar a história. Só se sabe que é letal. Há algo lá fora esperando para enlouquecer você e fazer você cometer atos horríveis: fazer você se mutilar, se suicidar. Basta apenas um segundo, um mínimo descuido e tudo está terminado. Basta ver “aquilo” e você está perdido. Quer ficar em segurança? NÃO ABRA OS OLHOS! Para nada. Vai sair? Use uma venda. Tape as janelas com cobertores, tábuas, o que encontrar. Construa barricas, não deixe um sequer buraco de claridade aparecer, você não pode ver a luz do mundo lá fora. Esconda-se, não saia de casa, não olhe pela janela. Viva todos os dias com medo, na escuridão de uma casa.

Essa é a vida em “Caixa de Pássaros”, a única regra é: NÃO ABRA OS OLHOS – se quiser sobreviver.

Você vai poder esperar perguntas como: Que barulho é esse que vem do lago? Dá onde veio esse sangue? Esse som vem do poço? O que é aquilo atrás das árvores? Quem abriu a porta dos fundos? SIM se você já está com medo, acredite tem motivos pra isso. A atmosfera de Caixa de Pássaros é implacável. Mesmo você sendo unicamente o telespectador dessa história ainda assim você irá sentir os mesmos calafrios e arrepios que Malorie.

Cinco anos se passou desde o inexplicável surto começou, agora Malorie e os dois filhos têm de enfrentar o desconhecido para salvar suas vidas. Uma viagem literalmente no escuro, sem abrir os olhos, onde qualquer errinho, pode matá-los. Esse é um daqueles livros onde você sente o desespero dos personagens.

“Na calçada, um casal passa com o jornal cobrindo o rosto até as têmporas”. Alguns motoristas dirigem com os retrovisores virados para cima. Distante, Malorie se pergunta se aqueles são sinais de que a sociedade está começando a acreditar que há algo de errado. E se houver, o que é?”… “Um homem no fim do corredor abre uma caixa de curativos. Então põe um deles sobre o olho.”

A história é meio que dividida, ela se passa entre o presente e o passado. Grande parte da trama é narrado pelo ponto de visa de Malorie, desde quando ela descobre que esta grávida, dos rumores a respeito dos acontecimentos horríveis de suicídios das pessoas, até encontrar-se com o presente, onde ela e os filhos tentam atravessar vendados, um rio para salvar suas vidas.

É tudo muito rápido, o ritmo da leitura é constante, meio que claustrofóbico. Não dá para parar de ler, você se envolve na história e principalmente com Malorie. O clima de desespero e medo só aumenta em cada página.

Uma coisa que vale a pena destacar e que gostei muito, é que a história não retrata só as “criaturas” que estão lá fora, não fala só deles, retrata bem os seres humanos, como uma coisa dessas pode mudar o mundo e principalmente uma pessoa, no que pode transformá-la psicológica e emocionalmente, detalha bem os desesperos dos personagens, como cada um se sentiu e o que fazia para poder sobreviver. Mas digo que o autor teve muita criatividade, porque só de pensar em um local assim, já me dá caláfrios.

“Ele poderia ter entrado em qualquer momento. Poderia ter quebrado uma janela. Poderia tê-la atacado quando ela ia pegar água no poço. Por que esperaria? Sempre seguindo, sempre rondando, só que ainda não estava pronto para atacar.”

Se você é daqueles que gostam de um final revelador, em que tudo fica esclarecido, então não leia esse livro. Eu esperei por algo que não chegou, talvez por uma conclusão – não que o livro não tenha um final, ele tem – porém esperei saber mais das coisas, mas isso não aconteceu, porém, percebi que não era isso que importava, o autor deixou claro ao decorrer da história que o intuito dele era de deixar o leitor aterrorizado e levá-lo até o final – o que conseguiu – mas não prometeu um final épico. Mas eu posso concluir pra vocês como me sinto depois de ler Caixa de Pássaros: Nunca mais vou ouvir barulho de pássaros da mesma maneira.

“Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.”

Se você não tem costume de ler livros que te deixam aflitos ou com medo, essa não é uma boa opção para você. Agora se você está acostumado com o gênero e está pronto para deixar o medo entrar no seu quarto ESSE LIVRO É PARA VOCÊ.

Josh Malerman escreveu um romance realmente assustador e inesperado. Eu sou fã desse tipo de livro (adoro toda a adrenalina e tensão). Caixa de Pássaros foi um livro cativante li de um dia para o outro (depois de ler Boneco de Neve, pássaros seria o de menos).

Recomendadíssimo pra quem curte esse tipo de gênero... só não esqueçam: NÃO ABRA OS OLHOS!

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