23 de jun de 2016

Resenha: Beleza Perdida - Amy Harmon

Primeiro livro de Amy Harmon que leio, narrado em terceira pessoa, a autora altera o foco da narrativa entre Ambrose, Fern e alguns outros personagens secundários da história, fazendo com que o leitor possa conhecer cada pedaço do universo criado, se envolvendo completamente com a proposta do livro.

Ao invés de eu me deparar com a história da menina que se acha feia e chama a atenção do cara bonito, nós temos uma garota que não se importa tanto com o fato de não chamar a atenção dos garotos por causa da sua aparência e de um garoto que não está a procura de alguém para lembrá-lo das suas qualidades físicas, mas de alguém que consiga ver além do seu rosto bonito.

Ambos os personagens principais do livro carregam inseguranças e medos que os tornam ainda mais interessantes. Durante toda a história, acompanhamos o desenvolvimento desses personagens de uma forma que vai muito além do romance ou mesmo da questão bonito/feio que é abordada de forma tão maravilhosa dentro da história.

Ambrose, Grant, Beans, Paul e Jesse são os atletas da escola, os lutadores que trazem orgulho a pequena cidade e trazem troféus das competições. Bailey é filho do treinador deles, mas Bailey não luta, ele tem distrofia muscular (degeneração do músculo), ele não pode fazer grandes movimentos então ele é censurado de lutar, por mais que ele queira. Eles são um grupo de amigos inseparáveis, tem suas briguinhas mas nada destrói os garotos.
"Às vezes, ter amigos especiais pode ser difícil. Às vezes você vai sofrer por seus amigos. A vida nem sempre é fácil, e as pessoas podem ser cruéis."
Bailey tem distrofia muscular e vive em uma cadeira de rodas, é primo de Fern, que é apaixonada desde sempre pelo Ambrose e que se acha feia, se acha pouca areia pro caminhãozinho do Ambrose. E Fern tem uma amiga, Rita, a garota mais linda da escola e a garota que Bailey é apaixonado.
"Bailey não enxergava a vida da maneira como todos os outros enxergavam. Tinha se tornado muito bom em viver o momento, sem olhar muito longe para o que poderia vir."
Ambrose decide largar todo o futuro dele na faculdade e competições para se alistar ao exército, mas não vai sozinho... Grant, Beans, Paul e Jesse vão com ele. Mas só ele volta... E volta todo desfigurado.
"É por isso que eu não rezo mais. Porque se o Grant rezou tanto e mesmo assim morreu, então não vou perder meu tempo."
Ele era considerado um dos alunos mais lindo (mas nunca deu importância pra isso, sabe, não era nariz empinado e nem arrogante), sempre foi visto como o melhor atleta e aluno por todos. Mas ele volta não só com o coração, emocional partido pela perda dos amigos e pela culpa que ele trava dentro de si, mas ele volta se escondendo do que os outros podem achar ou da forma com vão olhar pra ele com essa nova cara de "monstro". Menos Fern.
"Você age como se a beleza fosse a única coisa que faz as pessoas serem dignas de amor."
De início ele só se afasta, ele não quer a piedade de Fern, não quer o cuidado dela, da mesma forma que ela faz com Bailey (porque é ela quem o ajuda a se locomover e tudo mais), mas aos poucos eles vão se apoiando um no outro. Fern por mais que tenha todo o discurso "sou feia mimimi" é uma personagem sábia e altruísta, ela é uma linda pra mim. Já o Bailey rouba a cena nas melhores partes do livro, o cara tá vivendo por um fio, qualquer hora ele pode morrer mas lá está ele rindo da vida, animando Fern e Ambrose.
"Acho que é por isso que a Fern sempre gostou tanto de ler. Os livros permitem que as pessoas sejam quem elas querem ser, para escapar de si mesmas por um tempo."
Outro personagem que quando aparecia se sobressaia demais era o pai de Fern, o Pastor Joshua, ele é tipo o Padre Fábio de Melo, todo mundo o adora e todo mundo o admira.
"A verdadeira beleza, aquela que não se desvanece ou se esvai, precisa de tempo, de pressão, precisa de uma resistência incrível. É o gotejamento lento que faz a estalactite, o tremor da terra que cria as montanhas, o constante bater das ondas que quebra as rochas e suaviza as arestas. E da violência, do furor, da ira dos ventos, do rugido das águas emerge algo melhor, algo que de outra forma nunca existiria. E assim suportamos. Temos fé na existência de um propósito. Temos esperanças em coisas que não podemos ver. Acreditamos que há lições na perda e no poder do amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la."
Este é um livro profundo e envolvente, que vai muito além de uma história de amor, também fala sobre a amizade e como a mesma pode superar a tristeza e a dor, além de mostrar o amadurecimento dos personagens. Um outro ponto importante é que sendo uma releitura de A Bela e a Fera eu imaginava que era somente sobre Fern e Ambrose, mas estava enganada e essa questão envolve vários personagens. Eu nunca vou esquecer Beleza Perdida. Nenhuma palavra é suficiente para lhe fazer justiça, apenas digo que leia. Não quis escrever muito sobre a história porque é importante que entenda por si mesmo, porém eu chorei (muito), ri, sofri e me encantei com esses personagens tão desajustados. A capa do livro é bonita, a diagramação está básica e a letra num tamanho ótimo para leitura, porém encontrei alguns erros de revisão. Em suma, recomendo a leitura desta obra incrível, brilhante e emocionante.
Por Bebendo Livros

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